domingo, 16 de agosto de 2009

Evolução Histórica do Conceito de Museu

A partir da aplicação do termo "museum", referindo-se a primeira vez no século XVI a uma colecção, pretendemos analisar o conceito de museu como uma realidade dinâmica que continua a desenvolver-se até aos nossos dias.
Actualmente, existe uma forte crise de identidade no seio da instituição museística, cujos canais se vão definindo nas novas políticas culturais que apostam na protecção, conservação e defesa do património mundial.
Do ponto de vista etimológico, a palavra museu provém do grego “mouseion[1] que se aplicou na Alexandria à instituição fundada por Ptolomeu. No mundo romano o termo “museum” designava uma vila particular onde teriam lugar as reuniões filosóficas, presididas pelas musas.
Por outro lado, em 1727 aparece o termo “Museographia[2] que é o título de uma obra cujo autor, Neickel, redigiu em latim para assegurar a sua difusão em toda a Europa.
Foi um tratado teórico onde vinham uma série de orientações sobre classificação, ordenamento e conservação das colecções.
Também podemos encontrar referências concretas sobre a forma das salas de exposição, a orientação da luz, a distribuição dos objectos artísticos e dos espécimes de história natural.
Estas salas, além de cumprir a função de exposição, consideravam-se como o lugar mais adequado para a investigação. Por esta razão, se contempla a existência de uma grande mesa central onde se podia examinar cada um dos objectos, podendo-se auxiliar de um importante repertório bibliográfico existente na própria sala.
Estes lugares tinham um carácter quase sagrado e eram considerados como um símbolo da identidade cultural de um povo. Ia-se aos museus para admirar e contemplar obras de arte.
Esta visão romântica do museu não se deveria perder, pois constitui a essência do mesmo e podemos cair no extremo oposto perante a vista de uma obra de arte.


HERNÁNDEZ, Francisca Hernández, Manual de Museología, Madrid, Editorial Sintesis, 1998.
[1] - Do grego. mouseïon, «museu», pelo latim. museu-, «museu; biblioteca»)
[2] - Do gr. mouseïon, «museu» +gráphein, «descrever» +-ia)

domingo, 9 de agosto de 2009

Formação do Museu - Da Colecção ao Museu

Abordar o processo de constituição do Museu, numa tentativa de encontrar as suas raízes, observamos que a sua colecção ou colecções são o que lhe infere singularidade e, em definitivo, razão ontológica.

Com base neste facto, acreditamos que é adequado para iniciar este estudo, fornecer uma visão geral da história da colecção.
Entendemos por "colecção" o conjunto de objectos que temporária ou permanentemente estão fora da actividade económica, sujeito a uma protecção especial a fim de ser exposto ao olhar dos homens.

Sobre esta definição, pode-se dizer que a colecção tem vindo a desenvolver-se ao longo de todas as etapas históricas, considerada como a origem dos museus.

É evidente que o acto de coleccionar obras de arte é tão antigo quanto a noção de propriedade individual e tem sido fomentado por todas as culturas e instituições.
Assim, faraós, imperadores, monarquias e igrejas reflectem as suas diferentes motivações de ordem política, religiosa ou prestígio social, quando se trata de reunir as suas colecções.
Paralelamente a este coleccionismo institucional ou público, tem-se desenvolvido um coleccionismo privado e particular (Cooper, 1963).
Existem muitas causas que deram origem ao coleccionismo, mas iremos resumi-las em quatro:
1. respeito pelo passado e pelas coisas antigas;
2. o instinto de propriedade;
3. o verdadeiro amor à arte;
4. coleccionismo puro.

HERNÁNDEZ, Francisca Hernández, Manual de Museología, Madrid, Editorial Sintesis, 1998.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Arte Sacra e Arte Religiosa

Apesar de não ser imediato, há diferença entre Arte Sacra e Arte Religiosa.
Esta existe mediante a finalidade ou o destino da obra artística.
Há criações de intensa inspiração religiosa que, no entanto, não se destinam ao culto ou à prática deste, não sendo consideradas como “Arte Sacra”.
A Arte Sacra é a arte que tem um destino de culto, litúrgico.
A Arte Sacra carrega uma série de especificações. Por exemplo, uma imagem, uma escultura, um quadro podem carregar e até mesmo provocar um sentimento religioso, podendo no entanto não serem adequados para que se celebre a Missa perante eles.
Não havendo espiritualidade (elevação da obra ao plano espiritual), sendo uma obra puramente estética, que não provoque uma atitude de fé e esperança e acima de tudo de adoração a Deus na sua contemplação, trata-se de uma obra do âmbito da Arte Religiosa.
A Arte Sacra não cumpre fins litúrgicos mas deve expressar e favorecer à prática deles.

sábado, 25 de julho de 2009

Terras de Regalados

"Regalados foi terra doada por D. Afonso Henriques através de carta de 20-VII-1130 ao Arcebispo de Braga D. Paio Mendes, pelo apoio concedido durante a batalha de S. Mamede.

Regalados foi julgado desde o início da nacionalidade.

Regalados foi terra de Abreus, onde construíram o seu primitivo solar em XV que, posteriormente, foi demolido, para dar lugar ao actual, que foi construído no séc. XVIII.

O rei D. Manuel I, em 13-XI-1513, concedeu foral a Regalados.

Pico de Regalados foi concelho e comarca até 24-X-1855, data em que passou a integrar o então criado concelho de Vila Verde.

Pico de Regalados tem uma longa e rica história, que merece ser conhecida mais profundamente, devendo, cada visitante deste Museu, tentar descobrir o muito que há para descobrir, através dos cantos e recantos, dos mitos e ritos que estão guardados no espólio documental e na memória de cada habitante.

Conheça as riquezas de Pico de Regalados através da descoberta, da observação, da vivência quotidiana e da hospitalidade das suas gentes."
A paróquia de Pico de Regalados, concelho e arciprestado de Vila Verde, inaugurou no dia 22 de Junho de 2008 o Museu Terras de Regalados, numa cerimónia presidida pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga. A sessão solene de inauguração foi intercalada com a execução de três peças musicais por Giampaolo Di Rosa., no órgão de tubos da igreja matriz, uma peça da segunda metade do século XVIII cuja recuperação foi precursora da criação do actual museu de arte sacra. A estrutura, é constituída por duas secções: uma dedicada à exposição da arte sacra e outra " ainda em acabamentos " onde será montado o Museu Etnográfico da região.